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Como funciona a consignação em brechó (e quanto cobrar)

Equipe Vestto7 min de leitura

Trabalhar com consignado parece o melhor dos mundos: você enche a arara sem desembolsar nada na compra e só paga quando vende. Aí o estoque cresce, entram dez, vinte, cinquenta consignantes, e começa o nó. Quem deixou aquela jaqueta que vendeu sábado? Era percentual ou valor fixo? Já passou o prazo daquele lote? Entender como funciona a consignação em brechó é metade do caminho. A outra metade é não perder o controle de quem é cada peça, e é aí que a maioria tropeça.

O que é consignação em brechó, na prática

Consignação é vender peça que não é sua. O consignante (também chamado de fornecedora ou parceira) entrega as roupas, você expõe na loja, e a propriedade segue dele até a venda acontecer. Quando a peça sai, você fica com a sua parte e repassa o resto. Se não vender no prazo, a peça volta ou o acordo é renovado. Você não imobiliza capital comprando estoque; em troca, divide a receita de cada venda.

É um modelo comum no ramo justamente porque baixa a barreira de entrada. Dá para abrir com pouco e ainda ter variedade na arara. Se você está montando a operação agora, vale ler também como começar um brechó do zero, porque a decisão entre comprar estoque, trabalhar consignado ou misturar os dois muda toda a estrutura de caixa.

Percentual ou valor fixo: as duas formas de cobrar

Existem dois jeitos clássicos de combinar a divisão, e dá para usar os dois na mesma loja conforme a peça e o consignante.

Por percentual

Vocês combinam uma fatia do preço de venda. Digamos 60% para o brechó e 40% para o consignante. Se a blusa sai por R$ 50, você fica com R$ 30 e repassa R$ 20. É o formato mais transparente: o consignante sabe exatamente como a conta é feita e acompanha pelo preço de etiqueta.

Por valor fixo

O consignante diz quanto quer receber por uma peça (digamos R$ 30 por um vestido), e você precifica acima disso, livre para definir a etiqueta. Vendeu por R$ 55? Repassa os R$ 30 combinados e fica com R$ 25. Esse formato te dá margem para precificar pela demanda, mas exige registro caprichado: o valor a repassar varia peça a peça e não é uma simples regra de porcentagem.

No percentual, a conta é uma só para todo mundo. No valor fixo, cada peça carrega o próprio acerto. Escolha o que você consegue controlar sem errar.

Equipe Vestto

Qual a porcentagem de consignação de brechó

A faixa que mais aparece no mercado é o brechó ficar com 60% a 70% e repassar 30% a 40% ao consignante. Trate isso como referência, não como tabela sagrada. A divisão certa depende de quanto trabalho a peça te dá (higienização, conserto, foto, anúncio, atendimento) e do tipo de peça. Marca premium e peça que gira sozinha pesam a favor do consignante na negociação; peça de saída difícil, que exige esforço de venda, justifica uma fatia maior para a loja.

Exemplo de divisão numa venda de R$ 50 (referência de mercado, não regra fixa)
Split combinadoBrechó recebeConsignante recebe
50% / 50%R$ 25R$ 25
60% / 40%R$ 30R$ 20
70% / 30%R$ 35R$ 15

Lembre que a sua fatia não é lucro limpo. Dela saem aluguel, embalagem, tempo de cadastro, energia, taxa de maquininha. Por isso 50/50 raramente fecha a conta para o brechó, e o intervalo de 60% a 70% virou o ponto de equilíbrio mais usado. Para enxergar quanto sobra de verdade no fim do mês, vale estruturar o controle financeiro do brechó separando o que é seu do que é repasse de terceiros.

O que o contrato de consignação precisa ter

Acordo de boca vira briga. Um contrato simples, de uma página, resolve quase todo atrito antes que ele aconteça. Não precisa de linguagem jurídica empolada; precisa ser claro e assinado pelas duas partes. Estes são os pontos que não podem faltar.

  • Identificação das partes: nome e contato do consignante e do brechó.
  • Lista das peças com descrição e estado de cada uma na entrada (foto ajuda a evitar discussão depois).
  • Preço de venda de cada peça, ou a regra de precificação se for valor fixo.
  • Divisão: o percentual ou o valor fixo combinado, sem ambiguidade.
  • Prazo que a peça fica na loja antes de devolver ou renovar (30, 60, 90 dias são comuns).
  • Forma e data de pagamento do repasse (semanal, quinzenal, mensal, só depois da venda).
  • Condições de devolução: o que acontece se não vender, quem busca a peça, prazo para retirada.
  • Responsabilidade por dano ou extravio enquanto a peça está com você.

Checklist rápido antes de aceitar um lote

  1. 01Conferi e registrei cada peça com estado e preço na entrada?
  2. 02Combinei o split (percentual ou valor fixo) e anotei no contrato?
  3. 03Defini o prazo de permanência e o que fazer no vencimento?
  4. 04Acertei quando e como pago o repasse?
  5. 05As duas partes assinaram e ficaram com uma cópia?

A dor real: saber de quem é cada peça que vendeu

Com cinco consignantes, dá para tocar no caderno. Com trinta, o caderno te trai. A peça vende, você comemora, e três dias depois não lembra se aquela calça era da Cláudia (60/40) ou da Renata (valor fixo de R$ 25). Repassa errado uma vez e perde a confiança da fornecedora; repassa de mais e come o próprio lucro. Manter o que é repasse separado do que é seu no financeiro do brechó é o que mostra, no fim do mês, quanto realmente sobrou. O problema nunca foi a matemática da divisão. É o vínculo entre a peça física que saiu da arara e o nome de quem a deixou ali.

Por isso cada peça consignada precisa carregar, desde a entrada, três informações amarradas: de quem é, qual o acordo (percentual ou valor fixo) e por quanto está à venda. Quando a peça vende, o registro da venda já te diz o que repassar e para quem. Sem caderno paralelo, sem caçar no WhatsApp, sem acerto no chute. É a mesma lógica de organizar o estoque do brechó com etiqueta e fluxo de entrada, só que com um campo extra que muda tudo: o dono da peça.

O que registrar por peça consignada
CampoPor que importa
ConsignantePara repassar à pessoa certa quando vender.
AcordoPercentual ou valor fixo, para calcular o repasse sem erro.
Preço de vendaBase do cálculo e referência na etiqueta.
PrazoPara saber quando devolver ou renovar a peça.
StatusEm estoque, vendida ou devolvida, sem confusão.

Perguntas frequentes

Como funciona a consignação em brechó?
O brechó recebe peças de terceiros (os consignantes), expõe na loja e só repassa parte do valor depois que a peça vende. A propriedade da peça é do consignante até a venda. Se não vender no prazo combinado, a peça volta ou o acordo é renovado.
Qual a porcentagem de consignação de brechó?
Como referência de mercado, o brechó costuma ficar com 60% a 70% e repassar 30% a 40% ao consignante. Não é regra fixa: o split depende do trabalho que a peça dá e do tipo de produto, e é livremente negociado entre as partes.
Como fazer o contrato de consignação para brechó?
Um contrato simples basta, desde que traga preço de cada peça, divisão (percentual ou valor fixo), prazo de permanência, forma e data do repasse e condições de devolução. Identifique as partes, liste as peças com estado na entrada e peça assinatura dos dois lados.
Como controlar de quem é cada peça consignada?
Cada peça precisa carregar, desde a entrada, o consignante, o acordo combinado e o preço. Assim, quando ela vende, o registro da venda já mostra de quem era e quanto repassar, sem depender de memória ou caderno paralelo.

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